domingo, 28 de maio de 2017

LYNE \\ Quase nos 19

Ufa, só de escrever este título, senti-me cansada. Admirada, estafada. Como assim, dezanove? Daqui a menos de quinze dias, celebrarei dezanove primaveras, seis mil novecentos e trinta dias de vida. Por muito óbvio que seja este facto, o de crescermos, evoluirmos e tudo o mais, não deixa de ser assustador observar a quantidade de tempo que passou, o número de lições que aprendi, as coisas que disse e deixei por dizer... Parece pouco, mas para mim, estes quase dezanove sabem-me a muito, e tudo porque nem todos chegam ao mesmo número que eu... Como tal, esta é uma das muitas razões que me levam a celebrar este dia em grande, junto das pessoas que mais amo, tendo o cuidado de organizar tudo, até aos ínfimos detalhes. 

Acho importante, no nosso aniversário, sentirmo-nos importantes, o centro das atenções... Não vejo, nem nunca encarei isso como algo mau, afinal, estamos a celebrar uma vida! Como tal, e tendo em conta que vocês também já fazem parte da minha vida, dedicarei estes próximos dias a publicações relacionadas com tudo e mais alguma coisa, em relação a mim. Não publicarei todos os dias, para não enjoar, mas de uma coisa sei: a blogo, pela parte que me toca, entrará em modo festa! E então, celebremos? ♥

sexta-feira, 26 de maio de 2017

ABRIL #RRSP17 \\ "aparição", Vergílio Ferreira

Não sei o que opinar acerca deste livro. Recordo-me de, há um ano atrás, ter pegado nele, ter explorado as primeiras cento e poucas páginas e, por interferência de outros livros, acabei por esquecê-lo na mesa de cabeceira, até ao dia em que decidi devolvê-lo à estante e esperar por uma altura mais propícia para o reler e seguir adiante... E essa oportunidade surgiu no mês passado, numa altura em que eu mal tinha o que fazer, logo, dispunha de mais tempo para leituras. Contudo, como sempre, os trabalhos foram surgindo, e mesmo levando o livro para trás e para a frente, lê-lo nos transportes e tudo o mais, novamente ele ficou esquecido, mas por pouco tempo. E se aqui estou, é porque o terminei com sucesso!

Repito, não sei por onde começar. Aliás, sei que este livro não é para toda a gente, principalmente no que toca a mentalidades. Não que o seu palavreado ou contexto confundam, mas sim por conter no seu núcleo uma profundidade que muitos não alcançam, uma poética que, ou encanta, ou faz com que as pessoas desistam à primeira. Em suma, "aparição" conta-nos a história de Alberto, um professor de português e latim, que se muda para Évora, algum tempo depois do seu pai falecer. A trama leva-nos para um cenário onde Alberto reencontra-se com um velho amigo de seu pai, cruzando-se também com as suas três filhas, acabando por se envolver com uma delas. Sim, é um romance, mas ao contrário de muitos outros, "aparição" toca-nos pela capacidade que o autor tem de nos envolver em toda esta história, suscitando-nos a curiosidade para explorar e saber mais informações.

Toda a avaliação que fui fazendo ao longa leitura fez-me recordar, em parte, a altura em que estudei "Os Maias", não porque se trata de um livro super descritivo, mas sim pela natureza dramática que se vai revelando, aquela questão de um enredo que se guia por mudanças bruscas na narrativa, de modo a nos pregar pequenos espasmos de espanto. É uma leitura que se faz rápida, isto se dispusermos da paciência para entender o narrador, com as suas revelações existenciais, as suas questões, o seu modo confuso e, por vezes, explícito de pensar. Não me arrependo de o ter deixado há um ano atrás, sabendo eu que durante esse tempo, fui arrecadando muitas experiências que me permitiram visualizar "aparição" com outros modos de ver, interpretar e opinar sobre. Aconselho-o, não só por me ter divertido com ele, mas por achar, de verdade, que ele terá um impacto significativo na vida das pessoas!

Já leram "aparição"? O que acharam?
Esta publicação insere-se no projeto do #RRSP17, em parceria com a Sofia. Para saberes o que anda ela a reler, clica AQUI!

domingo, 21 de maio de 2017

MAIO #RWSP17 \\ Mulan (1998)

Devo ser das poucas que não tem por favoritas as princesas Branca de Neve, a Bela, ou mesmo a Aurora. Confesso que sim, gosto imenso delas, mas nunca me havia identificado tanto com uma, quanto com a Mulan. Agora que revi a animação, percebo bem o porquê de tamanha identificação. Para começar, o facto dela ser diferente das outras, tanto em termos físicos, quanto psicológicos, foi algo que sempre me fascinou. Em comparação com as princesas que conheço, Mulan é das poucas que ultrapassa os limites que lhe impõem, das poucas que vai à luta por aquilo que quer e deseja, sendo o seu maior objetivo honrar a família. Ela não o fez da maneira mais convencional, arranjando um casamento que resultasse, criando uma família, mas sim colocando os pés no exército, somente para proteger o pai que já não se encontrava em condições para lutar.

A forma crua como nos expõem os interesses da sociedade chinesa da altura - e que se pode equiparar com muitas outras atualmente -, chega a chocar, não só porque a mensagem que passam aos mais novos é a de que a mulher jamais poderá exercer o mesmo papel do que o homem na sociedade, como também a de que se ela ousar tentar fazê-lo, a probabilidade de sofrer grandes consequências é enorme! Contrariamente à Branca de Neve, por exemplo, uma princesa que de certa forma é vitimada como sendo um ser que necessita de um príncipe que a salve, Mulan é aquela que se salva a si mesma, que mesmo sabendo que poderá ser morta, fita os olhos dos mais "superiores" com a mesma igualdade, batendo o pé pelos seus princípios. Mesmo tendo de escutar que ela nunca honrará a família, diga-se, arranjar um marido, Mulan não se deixa derrotar, acabando, pelo sim e pelo não, por encontrar um homem que a ama por aquilo que ela realmente é, e não pelo que os outros querem que ela seja.

Foi bom recordar as músicas, o Mushu (que criatura bela!), os cenários que nos indicam a altura em que foram preparados - esta animação já tem dezanove anos, estou a ficar velha! -, assim como encarar Mulan com um olhar orgulhoso, enquanto aplaudia os seus feitos, a sua motivação, a sua força para ser e fazer melhor! Penso que foi pela altura em que a vi pela primeira vez, que fui desenvolvendo esta minha panca pela cultura asiática, e se assim o for, fico bastante feliz pelo efeito que provocou em mim! Quanto a vocês, se nunca viram esta animação, prometo que não se arrependerão! Vale tanto pela mensagem, quanto pelo tempo bem passado!


Esta publicação insere-se no projeto do #RWSP17, em parceria com a Sofia e o Jota. Se quiserem saber o que é que eles andam a rever, basta clicarem nos nomes, respetivamente.

sábado, 20 de maio de 2017

Não é uma despedida, apenas um até já*

Nunca antes, ou pelo menos de perto, havia observado a primavera erguer-se sobre a cidade de Lisboa, pincelando-a pelas ruas fora, de tons esverdeados e arroxeados. Nas idas e vindas de ultimamente, e mesmo com um certo peso nos olhos, tem-me sido quase impossível deixar passar os detalhes de uma Lisboa primaveril, a alegria que se despe num sorriso, parcelas do corpo que aproveitam para ganhar cor, uma movimentação que confere uma outra dinâmica nos espaços que, durante o inverno, apenas habitam as moscas, ou nem isso. Durante esta última semana, principalmente, estes pormenores é que me têm salvo o couro, visto que os dias se caracterizaram em horas passadas a estudar, a desenvolver propostas do projeto final, vestir um certo stress em relação a mim mesma, afastar-me de muita coisa, aproximando-me de outras mais... Mal dormi, mal li - excetuando sebentas e mais sebentas -, tive uma crise de vertigens, a loucura! Entretanto, tracei a capa, deixei de ser caloira, vivi este momento ao lado de pessoas que jamais substituiria... Vesti o Traje por dois dias seguidos, carregando atrás não só a recordação do dia anterior, como também os odores e a sensação que fizeram do traçar aquilo que foi. Quase verti lágrimas para a capa, mas deixei que a tarefa de a humedecer pertencesse, somente, aos Padrinhos e Madrinha, guardando essa disponibilidade para depois.
É engraçado tentar dialogar com o tempo que imprime marcas na nossa alma, e fazer por compreender a pressa com que ele corre por nós. Recordo-me tão bem do choque que recebi quando me tinha apercebido de que tinha entrado na faculdade, seguido da matrícula e da construção de uma nova etapa. Se certas pessoas me perguntassem, ficariam chocadas com a resposta que lhes daria acerca da primeira pessoa com quem falei no início desta nova vida, um facto que até a mim me choca... Foram cerca de sete meses que se prolongaram num mar de aventuras, sorrisos sinceros, amarguras doces e lições com as quais aprendo todos os dias. Estão a ser os melhores meses que eu poderia desejar a mim mesma, não só pela satisfação dos meus feitos, mas principalmente por estar a aprender de que existem diferentes tipos de cansaço, e que aquele que me preenche atualmente é dos mais completos, saudáveis, sinal de uma felicidade com a qual nunca imaginei vir a conviver.

Não me arrependo de nada, nem mesmo das faltas que dei. Não me arrependo das declarações que fiz, das brincadeiras que criei, do tempo dedicado às minhas velha e nova guarda. Não me arrependo da procrastinação, do stress que alimentei, das lágrimas que banharam a minha almofada, nos momentos mais dolorosos. Deixei de ter medo de arriscar, deixei de lado o receio de expor os meus pensamentos e sentimentos, aprendi a triplicar as 24h que o dia tem, apenas para aproveitar a vida tal como ela merece, tal como eu mereço. É bom parar por uns segundos e sentir a leveza que me eleva para outros desafios, outras maneiras de pensar, que me conduz e interliga com outras pessoas. Mesmo que não o diga todos os dias, e defendo de que não faria sentido se assim se sucedesse, mas eu estou mesmo muito feliz! Custou, mas está a ser!

*A ti to dedico, primeiro ano da Faculdade! ♥

sábado, 13 de maio de 2017

Queres tomar um café comigo? #2

quanto tempo não nos víamos, sabes responder-me? Mesmo que não tenha passado assim tanto tempo, confesso que também não te sei responder. Ainda ontem celebrávamos o início do ano, e daqui a pouco mais de dois meses, estaremos muito provavelmente de férias, a curtir da praia e da música de fundo que é o mar calmo e as gritarias de quem aprecia um jogo na areia. Até lá, acredito que ainda tenhamos muito que estudar, muito que trabalhar, muito que fritar no cérebro... E é exatamente por isso que aqui estou, nesta pausa do café, para conversar contigo. Tanto como tu, reconheço o valor de nos dedicarmos aos nossos objetivos, se de facto os queremos ver cumpridos, mas pensa comigo: será que vale mesmo a pena assassinarmos mais de metade do nosso corpo, apenas para vermos uma coisinha de nada, feita? Calma, não grites comigo, não me chames de louca. Repito, tanto como tu, sei bem o que quero e que para chegar lá, tenho muito que trabalhar. No entanto, também sei que se eu dedicar todo o meu corpo a uma só atividade, eu hei de enlouquecer. Será que conseguimos concordar nisto? Aconselho-te a respirares fundo, a dares um gole nesse chá que te prometi, e preparares uma resposta que me faça ver que estás calma/o. 

Às vezes dou por mim a vaguear pelo meu pensamento, enquanto os olhos se situam vidrados num ponto da paisagem, buscando por uma resposta para a qual não tenho pergunta. A única coisa que sei pescar no meu interior é a certeza de não querer perder tempo com pormenores que acabarão por matar em mim a sede de desejar algo. E para isso se manter, reconheço o valor de não me estafar com tudo de uma vez só. Talvez seja de mim, provavelmente és o oposto da minha pessoa, mas convenhamos de que, até certo ponto, partilhamos desta característica um tanto ou quanto racional, de moderarmos a velocidade a que fazemos as coisas, para não falar da intensidade das mesmas. Seja a estudar arduamente, por um curto espaço de tempo, ou a executar um projeto para o trabalho, nós temos e devemos de ter calma, não só pela nossa saúde mental, mas principalmente para não a desgastarmos em conjunto com o nosso corpo... Tens a certeza de que tens cuidado deles? Não te andas a sentir exausta/o do nada, como se mesmo que andasses a dormir oito horas por dia, isso não bastasse? E cuidares de ti? E dares um tempo aos teus afazeres? Não digo que desperdices um dia na preguiça, mas faz como eu neste momento, e relaxa, escreve um pouco, lê um capítulo de um livro, dança por dez minutos... Dá de comer àquele lado da vida que os teus afazeres andam a espicaçar aos poucos, sem dares por isso.
Há quanto tempo não respiras? Podes-te rir à vontade desta minha questão, até eu a encaro como algo absurdo, mas analisemos a mesma: há quanto tempo não dás por ti a respirar, de peito leve, cabeça arejada, ombros relaxados, costas com postura? Não sabes o que é isso? Outro chá, por favor. Como assim? Leva a tua mão ao ombro, aperta-o o máximo que conseguires, ao mesmo tempo em que inalas. Sustem. Larga tudo. Sentiste a diferença? De verdade? Eis o conselho: repete estes movimentos no maior número de repetições possíveis, de um lado e doutro, chacoalha o stress, deixa-te arrepiar por essa sensação que estás a obter desse mesmo chá que nos faz companhia. Deixa-te seduzir pelos sonhos que são teus, pelos anseios que te pertencem, pela magnificência deste cenário que nos rodeia, seja ele de chuva ou sol, nuvens carregadas, ou não. 

Fica sabendo que só passei por aqui para te deixar este pequeno recado, para te oferecer a bebida que prometi, para te provar de que existe tempo para tudo, e para te preparar para o nosso próximo encontro. Prometo levar-te a visitar o meu local favorito, ao qual levo muito poucos, e que com certeza saberás apreciar tanto quanto eu. Até lá, não te esqueças de desacelerar o passo. Agora, terminemos as nossas bebidas, na companhia desta brisa fascinante que nos abraça. E outra coisa, não te esqueças de amar. E se não sabes ao que me refiro, pára um pouco e pensa. Sei que hás de chegar lá.