segunda-feira, 24 de abril de 2017

DROP THE BEAT \\ "Trap Pimba"

Nunca gostei de pimba, contrariamente ao meu pai que se diverte imenso com este tipo de música portuguesa. Só aqui nesta primeira frase, acabei por derrubar um estereótipo, assim como estes três Youtubers, o Nurb, o Conguito e o Paki, ao terem formado um grupo de hip hop alternativo, denominado de Dois Brancos & Um Preto. Quem é que, no seu perfeito juízo, teria a coragem de se auto denominar assim, tendo em conta que nos dias de hoje, tudo é ofensivo e sujeito a receber críticas? Assim que eles lançaram uma das músicas do álbum, Bacalhau, a minha primeira reação foi de desconfiança, afinal, pimba nunca foi para mim, e eu não sabia o que me esperava. Confesso que assim que coloquei play, uma gargalhada soltou-se-me da garganta, não porque o conteúdo estava mal, mas sim porque estava bom de mais. 

Esta recente banda teve a audácia de pegar nos hits mais famosos no mundo do pimba, produzir novas batidas que combinassem com as músicas em questão, acrescentando lyrics originais e que não fugissem muito ao contexto. Assim que o álbum oficial saiu, Trap Pimba, apressei-me a obtê-lo, para não falar da euforia que invadia o Twitter, tudo elogios ao resultado de Dois Brancos & Um Preto. Escutei tudo com cuidado, repeti a dose, e até hoje me divirto com as letras que outrora me agoniavam. 

E é aqui que nos apercebemos do quão genial foi esta tacada. Digo isto porque, para além de terem reciclado canções que são conhecidas por toda a gente - o que, muito certamente, originará uma maior aderência do público nos concertos -, ainda conseguiram enquadrar um estilo musical que está muito em voga desde sempre - o Hip Hop -, conferindo a cada faixa um vício ainda maior. O veredicto ? Estes três rapazes tentaram, conseguiram e, com certeza, terão muito sucesso pela frente; o que me alimenta ainda mais a curiosidade em relação ao que vem aí no futuro!

Para ouvires o álbum, clica AQUI.
Já tinham conhecimento deste recente lançamento? O que acharam do resultado?

Saídas à noite: Sim ou Não?

"Não" costumava ser uma resposta que me acompanhava na ponta da língua, assim que me questionassem acerca deste assunto. Juntando o facto de que quando era mais nova, nunca ter ganhado o hábito de sair por aí, com o pouco à vontade que sentia já um pouco mais velha, a vida noturna nunca foi algo que me deixava curiosa. Para mim, ficar em casa era, e continua a ser, uma melhor opção, mesmo quando os nossos melhores amigos poderiam ser a nossa companhia da noite. Contudo, tudo mudou quando fui para o Porto, no ano passado. Como foi uma coisa de turma, automaticamente tivemos mais liberdade para fazer as nossas coisas, saídas à noite inclusive. O que eu pensei que me fosse incomodar, passou por ser uma pequena prova de fogo na qual me saí bem-sucedida. Se o problema era apegar-me ao álcool, às drogas, ou mesmo  ao sexo por uma noite, como muitos jovens fazem, isso não foi algo que me tenha incomodado, pois para além de não me ter sentido tentada, simplesmente não é coisa para mim. Posso beber, sim, muito de vez em quando e dependendo das ocasiões; nunca fumei, nem nunca me meti em atividades que pudessem degenerar o meu psicológico, logo, sair à noite acabou por ganhar pontos da minha parte.

Continuo a ser pessoa de não sair à noite. Mesmo estando na faculdade, só há duas semanas é que fui à minha primeira festa académica, e mesmo com receio de não gostar a cem porcento, acabei por me sentir dentro do meu ambiente, apenas por haver sempre música e, consequentemente, dança. Aliás, a minha primeira saída à noite foi em Dezembro, no âmbito do jantar de turma, e em cuja noite me diverti bastante, acompanhada dos meus colegas. No sábado passado, celebrou-se o aniversário de um amigo, e o combinado foi encontrarmo-nos às 21h30 no parque, e concentrarmo-nos na avenida perto do rio. O resultado? Levou-se bebidas para quem bebe, quem fuma levou os seus cigarritos, e pessoas como eu, que não fumam nem bebem, levou-se a compreensão e a simpatia. Destas três experiências, posso concluir que sair à noite recebe um grande "Sim" da minha parte, somente por causa das companhias. A noite, somos nós que a fazemos, e o seu grande final depende, e muito, das pessoas que nos acompanham nestas situações. Tenho a sorte de me dar com pessoas que me respeitam pelas coisas que faço e deixo de fazer, e nesse sábado em questão, alarguei o meu círculo de amigos, exatamente por isso: porque mesmo eu não tendo os mesmos hábitos do que eles, eles foram capazes de me incluir, de me deixar à vontade, e de criar debates dos mais diversos temas, para que a noite não perdesse o seu brilho.
Ficaram com os copos? Claro, obviamente. Eu fui a sóbria do grupo? Com certeza. Contudo, isso nos impediu de nos divertirmos e de nos conhecermos? De maneira alguma. Se, eventualmente, eu tivesse ido com outras pessoas, será que a noite não teria tido este encanto? Acredito piamente que sim. O que se ouve e vê por aí nada mais é do que o resultado das más ações que as pessoas adotam. Da mesma maneira que tenho pessoas que gostam de sair à noite, ouvir música, dançar até de manhã, esses mesmos amigos são adeptos de serões em casa, com a companhia de filmes e outros seres humanos. Tudo depende da maneira como nos organizamos, da forma como agimos, e do quão identificáveis são as nossas pessoas. Se, por acaso, as pessoas com quem nos damos não têm nada a ver connosco, obviamente que as coisas correrão mal, seja em ambiente diurno, ou neste caso, noturno.

E outra, para quem não está familiarizado, automaticamente fica com a ideia de que sair à noite implica que estejamos condicionados a nos metermos em bares, discotecas e becos mórbidos, sendo obrigados a beber, fumar, roubar, etc.. O que é uma ideia completamente errada, visto que passear perto do rio, sentar-se num jardim, ir à praia com boa companhia, comida e bebidas, pode, e deve, ser considerado como uma saída à noite. Nós não precisamos de nos submeter a situações que nos prejudiquem, apenas para ganharmos o rótulo de "divertidos". Só porque os outros não estão habituados a nos verem divertidos, a dançar e a transpirar como consequência, não quer dizer que isso advenha de um consumo prévio de algo. Eu, por exemplo, adoro dançar, e onde me sinto confortável para o fazer, faço-o sem medos, o que fez questionar um amigo muito próximo, pois ele pensou que eu já estava toda alterada e que isso havia desencadeado aquele meu à vontade. Nada a ver. Sei quando me devo divertir, sei como o fazê-lo, e até acho que seja saudável sairmos um pouco da rotina, apenas para explorarmos mundos novos. A questão aqui é o carácter das pessoas, e não o facto de se estar de dia, ou de noite.

São pessoas de sair à noite? O que têm a dizer acerca deste assunto?

domingo, 23 de abril de 2017

BOOKS \\ 5 livros que me marcaram, e o porquê

A Sofia convidou-me e eu prontamente aceitei. Se for para falar de livros, não há como recusar a um convite destes, principalmente quando o podemos fazer no seu dia, no Dia Mundial do Livro. Já agora, Feliz Dia a todas as pessoas que dedicam parte da sua vida a se cultivar através desta ferramenta tão poderosa, fantástica e mágica. Desde que me lembro, que sei que faço uso da literatura para inovar o meu pensamento, a minha pessoa e a maneira como encaro o meu quotidiano. Embora existam momentos em que leio bastante, em contraste com outros em que nada consigo fazer, a verdade é que existe sempre um momento propício para tal: seja nos transportes, antes de dormir, numa esplanada acompanhada pelo sol... Tentar descrever a atividade de leitura é tão complexa, exatamente por depender de pessoa para pessoa, e de mentalidade para mentalidade. Apesar de tudo isto, se há coisa que muitos conseguem ter em comum, para além do gosto pela leitura, é uma pequena lista dos livros que mais nos marcaram ao longo da vida. Ao elaborar uma na minha cabeça, pensei que fosse encontrar muitos nomes, contudo, o limite que a Sofia colocou foi mais que perfeito. Não só consegui seleccionar cinco livros, como também me sinto super satisfeita com o resultado!
\\ "As Intermitências da Morte", José Saramago (AQUI)
Esta lista não poderia começar de outra forma. Ao contrário de muitos dos meus colegas, Saramago encantou-me desde início. Mesmo tendo tido de precisar ler o calhamaço que é o Memorial, nem isso me demoveu de entrar no fantástico mundo d'as intermitências, e tudo porque sempre ouvi falar muito bem deste livro, e com cujas opiniões tenho agora de concordar. Este livro é tão complexo e ao mesmo tempo tão simples. O facto de Saramago ter pegado num tema tão dogmático e ter criado um mundo tão igual ao nosso, este sem as circunstâncias presentes na narrativa, é assustador. Aliás, excetuando dois livros desta lista, todos os outros são assustadores, na medida em que retratam uma sociedade completamente fora de si, e que se deixa levar por ideais macabros, capazes de desrespeitar os limites da força humana - quão Camões é que isto soou? - construindo um conjunto de pessoas com as quais não gostaríamos nada de conviver! Mesmo para quem não goste de Saramago, este livro é perfeito para mudarem a vossa opinião!

\\"A morte de Ivan Ilitch", Leo Tolstoi (AQUI)
Mesmo pequeno, este livro provocou-me um impacto enorme. Em conjunto com as intermitências, A morte de Ivan Ilitch é ainda mais chocante por nos retratar a situação crítica de um ser humano que, ao longo da sua vida, foi construindo arduamente aquela que era a sua vida profissional, pessoal e financeira, e que, em menos de nada, não chegou para o salvar do seu percurso enquanto "ser não utilizável". Menos de cem páginas foram o suficiente para me colocarem a cogitar de forma consciente acerca das minhas motivações, acerca das pessoas que me rodeiam, acerca daquilo que faço para deixar a minha marca no mundo em que vivemos. Por ser curto e grosso, é que acho importante as pessoas não terem receio de o pegar, explorar e arrecadar novas lições. Eu, pelo menos, aprendi mais do que achei possível!

\\"Admirável Mundo Novo", Aldous Huxley (AQUI)
Outro grande clássico do qual ouvi falar bastante nas aulas de filosofia, no secundário, e o qual até tive medo de pegar pela primeira vez, embora a vontade de o explorar fosse imensa! Esta obra é tão poderosa, pelo facto de ter sido escrita há anos luz e, mesmo assim, se equiparar de forma tão macabra aos tempos recentes. Mais dia, menos dia, e havemos nós de estar submetidos a este tipo de realidade retratada, e tudo porque o governo gosta de nos manter debaixo de olho. Seja por nos controlar os sentimentos através de uma droga, ou por nos fabricar em massa nos laboratórios, se nós enquanto sociedade não lutarmos contra isto, há de chegar a um ponto em que a raça humana se sentirá ainda mais perdida do que já está! 

\\ "aparição", Vergílio Ferreira
Embora nunca o tenha chegado a terminar, e apesar desta ser a minha releitura do mês, aparição combinou demasiado comigo, mesmo até nas páginas que nunca li, e tudo porque Vergílio Ferreira tratou do tema da questão existencial. Não fosse por ser como sou, e este tema talvez não chamasse tanto por mim. Gosto de conteúdo que me faça reflitir como nenhum outro me poria a fazer; gosto de frases que não só são bonitas, como também alimentam o meu lado que ainda não achou a resposta que queria; gosto de escutar na prosa, a poesia que muitos não conseguem decifrar... aparição tem vindo a ser uma experiência diferente, serena, digamos até poética! Contudo, não vos posso adiantar muito, mas só pelo facto deste livro já me ter marcado sem antes me revelar o seu final, penso que diz imenso acerca dele!

\\ "Seja o que for o amor", Sofia Costa Lima (AQUI)
Por esta, a Sofia com certeza não esperava, mas passo a explicar: esta rapariga inspira-me! Em tudo, literalmente. A Sofia inspira-me a querer ser melhor no mundo da escrita; a Sofia inspira-me a nunca desistir dos meus sonhos; a Sofia, em conjunto com muitos outros, inspira-me a ser uma pessoa melhor. Já vos contei, uma vez, que escrevo desde os onze, e desde então que guardo em mim a vontade de, num dia, poder ter um livro publicado. Mesmo sem saber como o fazer, pelo menos na altura, no dia em que me cruzei com esta mulher no mundo da blogo, soube que era possível. É verdade que existem muitos bloggers que já têm os seus livros publicados, mas nenhum é como a Sofia, e tudo porque eu mantenho contacto com ela, e sou capaz de saber mais acerca dela, do que dos outros. Mesmo sem poder fazer comparações, nada me impedirá de dizer que a Sofia é uma pessoa que merece todo o respeito, todo o apoio e todo o sucesso com o seu trabalho. Quando li o Seja o que for o amor, estava a ultrapassar uma situação que se estabilizou por causa do livro, e por isso, só tenho mesmo de agradecer pela oportunidade que tive em recebê-lo em casa!

Blogues que estão a participar:

quinta-feira, 20 de abril de 2017

Porque no momento em que ela se decidiu, ela compactuou com a possibilidade de nada ser como dantes. O que se resumia a partilhas, transformar-se-ia em fragmentos de memória, em desejos não cumpridos, em gargantas de um nó apertado, desejosas de encontrar alguém com a destreza de as libertar. Porque ela sempre soube que chegaria o dia de reservar um momento para a tomada de atitude, um vislumbre do que seria se ela tivesse tomado outros caminhos. Porque sem isso, muito provavelmente ela não estaria aqui, assim, a fitar o que há de melhor no mapa que é a sua vida, na dúvida, coagida a ter de optar. Ela acabou por optar ser feliz, buscando a própria felicidade, pois não há ouro que valha mais que o brilhar do seu sorriso no reflexo dos olhares que a acompanham, no congelar de uma foto, no palpitar que era o seu interior. Porque com as rachas que o seu coração foi ganhando, ela se apercebeu do perigo que era expô-lo a tanta vulnerabilidade, a tanto sofrimento, a tanta dor. Ela aprendeu qual a linha, qual a agulha, qual o movimento perfeito para fechar as fendas da alma, sem provocar futuros sangramentos, futuras desilusões. Porque tendo passado por um processo de calmaria, ela adquiriu a sabedoria que há muito procurava, mas a qual não encontrava devido à sede que a conduzia para a questão errada. 

sábado, 15 de abril de 2017

SÉRIES \\ 13 Reasons Why

Desta vez, não vos trago um guião do porquê desta série merecer ser vista, mas sim a forma como ela me fez sentir... Não que isso esteja logo explícito, mas espero que se sintam inspirados a dar uma oportunidade a esta produção. Para ser sincera, ela não me contou algo que já não saiba, nem me ensinou algo que já não faça. O que ela acrescentou em mim foi a vontade de continuar a ser a pessoa que sou, a continuar a depositar preocupação nos meus, assim como em mim mesma. Há marketings que não fazem jus àquilo que publicitam, no entanto, todo o alarido em volta desta série tem uma razão de ser... E esta é a minha!
As pessoas subestimam o poder das palavras. As pessoas subestimam o poder das ações. As pessoas julgam que só porque as coisas no seu mundo funcionam de uma maneira, automaticamente os outros vivem essa mesma realidade. As pessoas têm uma ideia errada de como é que a cabeça do próximo funciona. Uma simples atitude, um simples olhar, uma decisão repentina pode abalar estruturas e terminar com a vida de alguém... O que as pessoas não sabem, ou fingem não saber, é que isto acontece todos os dias, em todos os cantos possíveis do mundo. Há quem subestime o poder das artes, mas é através dessa arte que temos retratadas situações como nesta série. Esta não foi, de perto, a primeira produção a trazer à tona a questão do suicídio, afinal, quantos filmes de adolescentes nos é referido isso? Penso que a única coisa que separa esta série de tudo o resto é a maneira crua como as situações são expostas. Hannah Baker teve treze razões para se suicidar, treze oportunidades para procurar ajuda, treze oportunidades para pensar bem e não tomar a decisão que ela acabou por tomar. Hannah Baker é apenas mais uma, no meio de muitas "Hannahs", que encarou a morte como a única saída possível do emaranhado de sentimentos que a iam afogando, dia após dias. Hannah Baker teve treze motivos, mas nem toda a gente precisa de treze motivos, e somente um para se suicidar... E se isso acontece, obviamente que a atitude parte da pessoa que se mata, mas nada justifica a loucura que é ter de conviver com as pessoas que nos levam a isso.
Cada um de nós, seres individuais, tem direito a uma coisa que se chama livre arbítrio. Tendo como base a nossa educação, as escolhas que fazemos, as influências que temos, existem milhares de caminhos que podemos adotar para alcançarmos uma boa vida. Há quem opte pelos maus caminhos, há quem seja bem-sucedido, há quem prefira pisar os demais para chegar ao cimo da montanha... Mas depois há aqueles que, sem se aperceberem, estão isolados. A mente humana é tramada, na medida em que é das coisas mais frágeis que pode existir. É nosso dever fortalecê-la, mas isto se tivermos quem nos ajude, quem esteja disponível a abraçar o pior de nós, ensinar-nos a aceitarmos isso e ajudar-nos a melhorar a cada dia. Muitas são as pessoas que defendem de que não precisam de outros seres humanos para sobreviverem, e depois dos meus amigos, dos meus familiares, e desta série, posso concluir que quem pensa assim, já está dentro de um mundo depressivo, pronto para beber da solidão e, sabe-se lá, terminar com tudo. Depois destas reflexões, podemos concluir que uma simples peça diferente no comboio de dominós, pode reverter qualquer tipo de efeitos secundários. A tua atitude hoje, pode ser o motivo da morte de alguém amanhã. A tua falta de atitude também o pode ser. Teres medo de arriscar pode fazer com a pessoa ao lado se sinta incompreendida, sozinha, solitária; mas exagerares nas tuas convicções também pode gerar muitas consequências... 

Com isto tudo, as pessoas ficam sem saber o que fazer: se faço muito, estrago tudo; se nada faço, é igual, e é exatamente aí que as coisas podem começar, ou terminar: e se, talvez, tentasses conhecer a pessoa? E se, na eventualidade, tentasses incluir a pessoa na tua vida, sem violares o seu espaço pessoal? E se, aos poucos, tentasses ser mais empático/a, colocares-te no lugar de outrem e insistir em ajudar? Só porque a pessoa nos manda embora, principalmente num momento de maior desespero, não quer dizer que tenhamos de o fazer. Um abraço pode amenizar muitas ideias erradas que passem na cabeça de alguém... Uma mensagem a perguntar se está tudo bem, pode iluminar o mundo de alguém... Uma lembrancinha, um pormenor que demonstre que te lembraste de alguém, pode sim evitar catástrofes! As pessoas julgam que não, mas cada uma das vidas existentes, importa, nem que seja para nos ensinar uma lição. 
O suicídio é um assunto sério. Há quem encare este ato como algo egoísta, questionando-se "como pôde esta pessoa deixar-me?", mas já paraste para pensar que talvez tu é que a tenhas deixado, em algum momento, provavelmente quando ela mais precisou de ti? Há quem encare o suicídio como "foi a escolha dela/e, ninguém teve culpa", mas aí é que se enganam: se a pessoa chegou ao ponto de tirar a própria vida, foi porque alguém cá fora teve a decência de ligar esse interruptor nela! Dito isto, peço: reflitam. Preocupem-se mais. Socializem cara a cara. Não sejam pessoas de bosta. Não tomem por garantido tudo aquilo que têm. Não deixem que os vossos amigos permaneçam calados, quando lhes questionam acerca do que se passa com eles. Insistam até ao ponto de se sentirem prontos para dormirem sem preocupações. Façam com que aquele vosso amigo, que tanto refere o suicídio como uma escolha, abra os olhos para as infinitas soluções que lhe pouparão a vida, nem que para isso tenham de ser cruéis com a imagem que passarem - e eu falo porque eu já tive esta conversa com muitas pessoas que quiseram, em tempos, acabar com a própria vida. Sentem-se na vossa casa, ou ao lado de alguém, e tentem perceber que o mundo tem particularidades boas, que existem pessoas boas, e que nós é que temos o poder de escolher quem fica e quem sai da nossa vida, sem que isso nos corte por dentro.
Esta série não retrata, apenas, a menina que se suicidou... Esta série é dedicada a cada uma das razões de um suicídio e que, no fundo, também carregam razões para o fazer. O princípio de uma não auto-aceitação pode gerar contaminações muito bizarras, ao ponto de se direccionarem a um alvo só. Os problemas em casa são outros... A falta de atenção dos pais também... A falta de identificação... O vazio de não sabermos o que somos, para o que viemos... As ilusões que criamos, e as desilusões que elas nos causam... Tudo isto e muito mais... O que para ti é algo insignificante, pode não o ser para o teu irmão, por exemplo. O que para ti é motivo de riso, poderá ser a causa de muitas tristezas. O que não disseste hoje, e que poderia ajudar alguém, de nada servirá se essa pessoa já estiver morta.

Já viram esta série? O que é que aprenderam com ela?