22 de setembro de 2017

BOOK review \\ "1Q84" vol.1, Haruki Murakami

BOOK

Poderia perfeitamente aguardar pelo fim desta "saga", todavia, é-me completamente impossível deixar passar esta oportunidade de vos falar da minha leitura mais recente, tendo em conta que existe muita coisa a ser dita. Para começar, no primeiro momento em que me cruzei com a escrita do Murakami através do "Sputnik, meu amor", eu logo soube que o talento dele merecia casar com uma outra história, e isto porque eu não gostei do livro que acabei de mencionar. Aliás, se gostei, foi apenas de algumas partes, porque tirando isso, não me deixei comover. Apesar de tudo, reconheci no trabalho do autor todo o seu esforço e dedicação e eu mal poderia esperar para ser apresentada a uma trama que me deixasse destroçada e com ainda mais tendências para mergulhar pelas tão boas questões existenciais.

Antes que se questionem acerca do género que abarca a narrativa de "1Q84", deixem-me que vos oriente: não há por onde escolher. Pode parecer confuso, até eu me sentiria assim se mo tivessem dito desta maneira, contudo, Murakami mescla tão bem as situações que envolvem as personagens, que se torna impossível nos perdermos pelo meio das palavras. Uma coisa que adorei bastante foi o facto de reconhecermos um trabalho de pesquisa aprofundado, sendo algumas menções feitas em rodapé, assim como pela forma como o autor teve o cuidado de definir a construção do elemento fantasioso que circunda a trama, sem cair na tentação de nos apresentar teorias non sense, se bem que se isso chegasse mesmo a ser feito, em nada influenciaria no peso extraordinário que estes acontecimentos podem exercer sobre nós! 

Eu detesto dar detalhes e nomes acerca dos elementos estruturais de uma história, pois acredito que de certa forma, eu poderei estragar a experiência de alguém sem lhe conceder a oportunidade de lá ir a descobrir as coisas sozinho, no entanto, não posso terminar esta review sem, pelo menos, mencionar alguns pontos fulcrais de toda a obra: o livro está dividido sobre o ponto de vista de dois personagens, Tengo e Aomame, que têm uma certa ligação, essa que não se deixa conhecer ao início. Existe uma terceira personagem bastante importante, a Fuka-Eri, que acrescenta muitas questões ao balde já preenchido das nossas dúvidas. De certa maneira, estas três personagens se completam umas às outras, e mesmo sem discernir que tipo de conexão é essa, é algo que quero muito descortinar!

Defini que leria este primeiro livro em uma semana e jamais imaginaria que eu seria capaz de cumprir com a promessa. Apesar do alarido por parte das duas pessoas que me convenceram a lê-lo, eu não aguardava uma invasão de espírito desta categoria, nem tão pouco me imaginaria dependente de umas quantas páginas para amenizar o stress do quotidiano, que na altura era caracterizado por ser um período de férias! Durante aqueles sete dias, eu tive o cuidado de me esbarrar com aquela dinâmica paralisante, tamanha a curiosidade em saber o que se estava a passar... Terminei a viagem de boca aberta, a cabeça aguada, as questões a palpitarem-se-me com urgência, mas acredito que me sentirei bem mais relaxada após o próximo volume de "1Q84", que se mostrou uma obra erudita, que nos torna mais sensíveis ao mundo em nosso redor e que aguça a nossa inteligência.

Já leram estes, ou algum outro livro do Murakami? O que acharam?

20 de setembro de 2017

Quando se risca (mais) um item da wishlist...

wishlist

Sempre disse que aqui viria assim que riscasse um dos itens da minha wishlist. Todos são importantes, mas este conseguia ser ainda mais, por aqui ter palpitado há mais tempo. Nunca deixei falhar este desejo perante os meus amigos e a minha família, e acredito que se este dia aconteceu, foi porque no universo já estava tudo traçado para se desenvolver assim. Com os seus altos e baixos e bermas desniveladas, contudo, com um final feliz. Não precisava de ter um nome em específico, bastava apenas que fosse aquele sítio. Ontem, a dezanove de Setembro de dois mil e dezassete, fui submetida ao meu exame de condução. Tendo agora como comparar, posso afirmar com toda a certeza de que estive bem mais nervosa para o exame de código do que para o de condução. Talvez se deva ao facto de ter feito estas últimas aulas de uma assentada, mas tenho a certeza de que ter o instrutor que tive também me ajudou IMENSO. Dirigi-me a ele dizendo que ele fez setenta porcento do trabalho, mas ele garantiu-me de que ambos trabalhámos para que eu passasse no exame. Porque sim, o meu desempenho foi aprovado e já fui tratar das coisas para receber a carta em casa.

Parecendo que sim, mas a verdade é que não sei bem como converter o meu entusiasmo neste texto. Se quis que o meu primeiro destino fosse a praia, como meio de celebração, foi pela conexão que eu estabeleço com este local. Não sei discernir o que é que me encanta neste elemento da natureza, mas no momento em que a planta do meu pé beija a areia da praia, é como se dali eu retirasse alguma energia daquele ambiente, expulsando todas as más energias que me sobrecarregaram até então... E se com a areia é este o processo, chegando ao mar, é como se eu me metamorfoseasse num outro alguém, como se eu ganhasse as forças de que precisava para elevar a outra Carolayne do abismo, e a salvasse de cair pelo buraco a dentro... Após horas a conduzir sem pedais extra e sem o instrutor oficial - porque existem vantagens em termos amigos que já conduzem há algum tempo, visto que depois são eles que nos dão as dicas "aldrabadas" -, permitir que os meus pés se conectassem com aquela água salgada, o inchaço da correria a abandonar-me, na posição da montanha, de olhos fechados e os ouvidos atentos aos sussurros das ondas, foi magistral! 

Ali, eu agradeci pelo facto de ter consigo fazer tudo à primeira; ali, eu agradeci pelo apoio dos meus em relação ao meu desenvolvimento e às minhas dúvidas; ali, eu me apercebi da dimensão das responsabilidades e da coragem ao atirar-me de cabeça a esta aventura; ali, eu só não chorei de alegria porque não achei necessário. O que viria em formato de lágrimas transfigurou-se para algo mais: os gritos de entusiasmo, as danças da alegria, as boas energias que me enviaram e aos abraços que me ampararam.

E sim, carago, temos condutora!

19 de setembro de 2017

BOOKS \\ SUMMER WRAP UP

Para muitos, isto pode não significar nada. E mesmo após a leitura de um documento que fiz ontem de manhã, acredito que estes resultados sejam o início de uma grande viagem enquanto leitora. Não sou capaz de afirmar quando é que eu, em três meses, li cerca de dezasseis livros, perfazendo um total de três mil quinhetas e setenta e oito páginas consumidas. Repito, em três meses. Não sou apologista dos grandes desafios literários que abundam por aí, nem tão pouco admiro de forma fanática o facto de muitas pessoas lerem dez livros num mês, os seus métodos assim um tanto ou quanto controversos na minha mente. Contudo, sinto-me orgulhosa dos meus resultados, para não falar de que os atingi em época de férias, daí ter tido tempo e paciência para tal.

Por muito curioso, a verdade é que não me desiludi, ainda, com nenhuma das leituras de dois mil e dezassete. Não sei se é pelo facto dos meus instintos estarem mais apurados no que toca à escolha daquilo que quero, ou se simplesmente ando com sorte nesse aspeto, mas uma coisa não posso negar, ou mesmo tentar alterar: este é o MEU ano de leituras! Sinto-me feliz por saber que diversas obras passaram-me pelas mãos como objeto do meu livre arbítrio, para mais os ensinamentos que obtive de cada um deles. A leitura mais recente, aliás, foi a que me marcou desalmadamente, sem pedir licença, apenas invadindo a minha sanidade, destruindo-a. A sua review está para breve, todavia, o desejo de meter as mãos no próximo volume arde-se-me mais do que uma vela acesa, e eu estou deveras ansiosa pelo momento.

Para além desse, o que me tornou também feliz neste ano foi o facto de ter terminado a saga "Harry Potter". Dois anos foi o tempo que eu levei para chegar a Hogwarts e não mais querer sair de lá. Foi intenso o crescimento que eu sofri junto das personagens, à medida que as páginas se iam tranfigurando em figuras animadas na minha mente. A história em si é intensa pela maneira como é construída, o que a torna numa peça essencial no mundo da literatura, não fosse esta saga a razão pela qual parte da população delicia-se na companhia de um livro.

Li mangás, abracei os livros técnicos como nunca antes, explorei recantos dos quais eu tinha receio, contudo, não havia razões para tal: assim que soube como iluminar o espaço envolvente, foi como se o meu olhar, o meu corpo e a minha alma ali pertencessem. Listarei os títulos que tão bem me fizeram neste verão e espero suscitar a curiosidade em algum de vós!

BOOKS

Os Mangás 
"Death Note Vol. 8"
"Death Note Vol. 9"
"Death Note Vo. 10"
"Death Note Vol. 11"
"Death Nore Vol. 12" → REVIEW DA SAGA

Lidos Pela Primeira Vez
"Lolita" → REVIEW
"O Livro do Hygge" → REVIEW
"Harry Potter e os Talismãs da Morte"
"Agora e na Hora da Sua Morte"
"Licenciei-me... E agora?" → REVIEW
"O Pranto de Lúcifer" → REVIEW
"1Q84" → (review em construção)

Para o #RRSP17
"Gilgamesh na Demanda da Imortalidade" → REVIEW
"O Principezinho" → REVIEW
"as intermitências da morte" → REVIEW
"Branca de Neve e os Sete Anões" → REVIEW

E foi isto! Uma lista grande e que tão bem condiz com a minha vontade de mergulhar noutros mundos que não este que se deixa habitar por nós. Se estas férias foram fantásticas e passaram a correr, muito em parte se deve pelo facto de eu ter desfrutado do meu tempo fora daqui, a aprender mais com estes autores e as suas criações, explorando tudo quanto me permitissem. Porque os livros são mesmo assim, pequenas alminhas que, de acordo com cada leitor, se manifestam no seu corpo, tornando-o ainda mais rico em termos de sabedoria e imaginação!

Como foi o vosso verão, em termos de leitura? Já leram algum dos livros mencionados? ♥

17 de setembro de 2017

LET'S PLAY SUNDAY #3 \\ O Domingo dos Amigos

Vídeos #1 e #2

Esta experiência de ter de viver à frente da câmara tem-me permitido descobrir pequenos detalhes que nunca antes havia parado para reparar, tamanha a rapidez com que os dias passam. Esta rubrica tem-me ensinado a apreciar ainda mais as minhas pessoas, as minhas coisas, o meu espaço e a minha existência. Posso não prestar atenção no momento em que gravo, no entanto, assim que me coloco a cortar e a editar o mesmo, mesclando as frames conforme o meu gosto, é como se estivesse a viver tudo pela segunda ou terceira vez, reconhecendo-me não só em todos os objetivos listados para aquele momento, mas principalmente pela maneira como eu os faço ganhar vida, sem forçar nada, apenas sendo eu mesma. 

Há dois domingos atrás, enumerei querer organizar a estante, sair com os amigos e divertir-me. Ao final do dia, tinha feito isto e muito mais do que estava à espera. E foi bom. Desanuviei, ri-me bastante, partilhei horas com pessoas maravilhosas, o que tornou tudo muito mais meu. 


15 de setembro de 2017

Second Time Hair Cut \\ Mudanças Necessárias

Dezanove anos e três meses foi o tempo que eu deixei passar para, pela segunda vez, decidir arrasar com o cabelo, encurtando-o a uma dimensão que muitos não esperam que alguém no seu perfeito juízo e sendo mulher faça. Ignorando os estereótipos que moldam a sociedade nos dias de hoje, é que fui capaz de abraçar a atitude que me mudou há quatro anos quando, num ato de necessidade e um certo desespero, cheguei a uma sexta-feira à tarde, peguei na minha tia, ela encaminhou-me para um cabeleireiro e cortei uma juba danificada, consciente de que daquela feita, eu cuidaria do meu cabelo natural, homenageando as minhas origens. Dois anos se passaram e foram o suficiente para eu cair novamente na tentação de utilizar produtos químicos para alisar o cabelo, convencida de que só assim é que eu conseguiria dominar o mesmo.

Agora, mais crescida e com mais bagagem atrás, descobri que eu posso ser bela sendo "cem porcento negra" (isto entre aspas porque sejamos sinceros, tenho muita mistura genética, mas isso é assunto para outro dia), sem medo de ser julgada pelos meus fios capilares crespos, com o devido volume, e que tanto enganam os olhos pouco treinados para discernir se os mesmos têm muito ou pouco comprimento. Desta vez, ficou mais do que decido de que eu tomaria conta daquilo que realmente me pertence, vencendo os obstáculos que por aí aparecerem, sejam eles acordar com o cabelo todo espetado, ou ter de hidratá-lo diariamente até obter uma textura que me parecer saudável. Este é o tipo de desafio que eu mesma procurei para mim e a ele me entregarei de corpo e alma. Porque eu pretendo ser mais do que eu mesma, eu pretendo transcender a minha própria existência, colocando os pontos nos is e os traços nos tês, chorando, sorrindo, reclamando com o vento que me destrói parte dos penteados e ficando com o brilho no olhar perante um elogio.

Mudanças

Cortar o cabelo, para mim, é uma manifestação que nos permite abrir as portas sem necessitarmos, propriamente, de uma chave. Se for o caso de as arrombarmos, que seja, o espaço é nosso, a vida é nossa, e quando devemos prestar atitudes ao universo, ele há de nos iluminar as ideias e afastar as nuvens que nos toldam a visão. Revolucionei-me, o meu cabelo conheceu as mãos da minha tia que tanto amor dedicou a cada corte, presentando-me com uma Carolayne mais jovem, mais determinada e mais capaz. Dias antes, escutei que o nosso cabelo armazena muita da nossa informação enquanto seres vivos e que, se eu parasse para analisar, sempre que alguém deseja o palpitar de uma mudança, a primeira coisa que ela faz é desfazer-se do cabelo, significando que dessa feita, tudo seria realizável. Quatro anos depois, posso corroborar com tal argumento.

E por aí, já alguém superou limites e cortou o cabelo mais do que o normal? :P