4 de setembro de 2015

O porquê de eu dançar...

Eu danço porque consigo comunicar-me comigo mesma desta forma. Não há nada melhor nesta vida do que nos conhecermos a nós próprios. O movimento das pernas em conjunto com os braços, criando uma harmonia que poucos conseguem compreender verdadeiramente, mas não importa. O sorriso que se instala no rosto quando sabemos que aquele é o dia de ir treinar e poder ver os colegas que também são amigos, os professores que muito nos ajudam a crescer. O grupo que acima de tudo é família.

Não existe melhor música do que o pulsar do coração quando está em movimento, em coordenação com os passos. Os pulmões aflitos por uma golfada de ar, mas o sorriso sempre ali.
Nada é mais gratificante do que erguer a cabeça após uma atuação, e ver as pessoas a aplaudirem o nosso esforço, a nossa dedicação, o nosso amor. Os pés podem arder, mas é um ardor que nos faz saltitar de alegria e orgulho. A roupa pode ficar toda molhada com o suor, mas é esse suor que nos mostra que nos esforçámos ao máximo em cima do palco.

Quando não há sorriso que floresça no rosto, há a música para nos acordar para aquele momento. São os movimentos a vir de dentro e os problemas a saírem cá para fora. São as lágrimas da tristeza a abandonarem-nos e os bons momentos a saírem do baú.

Eu danço porque posso. Por saber que existem milhares de pessoas que não o podem fazer, eu aproveito as pernas e o talento que tenho. O convívio passa a ser outro quando estamos com o nosso grupo. As palhaçadas, as macacadas, as gargalhadas ao longo das viagens de ida e de volta. O apoio dos que nos rodeiam serve também de recarga para a nossa inspiração. O nosso reflexo no espelho enquanto estamos a dar vida às coreografias da nossa mente. O orgulho que sentimos daqueles que lutaram até conseguirem passar-nos a mensagem.

Não existe idade para dançar... Não existe ritmo, categoria, talento. Existe sim o amor e a vontade de o querer fazer. Sentes-te em baixo? Estás na paragem de autocarro a ouvir música e o teu corpo pede para corresponder ao ritmo? És tímido mas não sabes como te soltar? Dança... Aumenta o som da música e desliga dos outros... Não tenhas vergonha de errar um passo já inventado. Isso não é errar, é criar algo novo. Não há nada que te possa impedir de dançar. Não há desculpa para dizer "não sei dançar!". Não existe o "não saber dançar". Todos nós sabemos dançar. Cada um à sua maneira, cada um com a sua experiência. Seja só a abanar a cabeça, a mexer os braços desajeitadamente ou a saltitar. Juntando estas três características e tens uma coreografia. Vês como não é difícil?

Bons são aqueles que se mexem... Felizes são aqueles que não se sabem mexer e mesmo assim tentam... Bons e felizes são aqueles que mesmo não conseguindo à primeira, tentam mais duas e mais três... E quem são aqueles? Todos nós que não acreditámos ao início, mas que agora fazem da dança um fator da felicidade. Faz aquilo que gostas, transforma-a numa paixão. Não há dinheiro que possa comprar isso. O dinheiro só ajuda. O que nos compra somos nós mesmos. Não sabes do que gostas? Procura... E enquanto o fazes, liga o som e a abana o capacete. Algo há de surgir na tua mente...


(Em dedicação ao grupo que me faz crescer, Exclusive Dancers)

Sem comentários:

Enviar um comentário