5 de outubro de 2015

Crescer também faz falta

Fonte fotográfica: Tumblr

Hoje estou assim mais para o sentimentalismo. A função de ter de crescer não é algo que me assuste, nem tão pouco que me deixe confusa. Adoro o facto de ter crescido em altura (porque na verdade não sou pequena. 1.72m fala por si), assim como em termos de mentalidade. Confesso. Por vezes sinto-me bastante ignorante mas não por querer sê-lo. O que acontece é que estou numa fase de aprendizagem, não só acerca da minha pessoa, como também acerca do mundo. Posso não ter como viajar por agora, mas quando surge uma oportunidade de sair com alguém, não recuso. Posso não ter grandes conhecimentos políticos e filosóficos, mas sem dramas. Tenciono ler e ver com os meus próprios olhos aquilo que a vida, os livros, os vídeos e as pessoas me podem ensinar. Sei de muitas coisas, mas não sei de tudo. Se há coisa que me consegue desviar do meu caminho pacífico são as perguntas impertinentes, das quais as respostas possam estar na internet e não na minha testa. Gosto de ajudar, sim quando estou com o espírito, mas às vezes chateia. Não há coisa a que eu dedico tanto tempo como à minha paciência. Conversar é bom, trocar ideias é essencial, mas evitem ter de chatear alguém só porque é inteligente e sabe de 90% das coisas que acontecem. Aprendam a prestar atenção. Pesquisem. Leiam. Não surjam com desculpas do género não tenho tempo para isso, quando na verdade a maior parte da vossa atenção está diretamente ligada por um fio às redes sociais... A internet não serve apenas para isso. Nem para auxiliar nos copy paste dos trabalhos que vos mandam fazer.

Irrita-me bastante o facto das pessoas encostarem-se aos outros. De não mexerem o rabo nem para tratarem da própria vida. Existem aqueles que se esforçam para terem as coisas que têm, sabiam? E não há nada mais aborrecido quando essas mesmas pessoas se apercebem de que estão rodeadas de outras preguiçosas e que não têm um único objetivo de vida para além de passarem o resto dos dias no sofá a ver televisão e a ganhar ancas. Entristece-me o facto de eu ainda ouvir pessoas a dizerem que ler não presta para nada e que é apenas uma perda de tempo. Que estudar é uma seca... E depois ficam com o cu preso quando algo não está do seu agrado, ou quando vêem que a vida lhes anda a correr ao lado. Que o tempo não pára única e exclusivamente para eles. Aprendam a distinguir a curiosidade com conveniência. Uma coisa é quando mostramos interesse por um assunto e decidimos perguntar a alguém que até perceba dele, com a finalidade de aumentarmos os nossos horizontes e conhecimentos. Outra coisa é quando apenas nos interessa tirar bom proveito das situações. Cresçam.

Isto não deve ser segredo para ninguém, pois encontra-se na sidebar, mas eu tenho dezassete anos. Para alguém da minha idade e tendo em conta o mundo em que vivemos, eu sou capaz de perceber de muitas mais coisas que os outros não entendem, e vice-versa. Sou, por natureza, uma pessoa que gosta de aprender, de mexer, de explorar antes de colocar questões que eu mesma posso encontrar por mim própria. Uma das melhores coisas que eu aprendi a fazer foi ler. Sim, não é o soletrar as palavras como no primeiro ciclo, mas sim pegar num livro, senti-lo, criar uma ligação e explorá-lo. Embora o meu hábito de leitura tenha começado quando descobri as fanfictions, a verdade é que a minha necessidade de saber mais e mais levou-me à louquinha dos livros que sou hoje. O mais provável é eu fazer tenda em frente da Bertrand ou da Fnac, do que correr atrás de alguém só porque sim. Gosto de ser assim. Exercitei a minha capacidade de absorver as más bocas que me são dirigidas, encaminhá-las pela saída e livrar-me delas. Lá se foi o tempo em que eu chorava e era absorvida pelo stress quando me sentia incompreendida. Entrar na fase dos quinze e conhecer o secundário tal como ele é instruiu-me de muita coisa. Crescer em dois anos e de forma madura vale mais do que levar anos ali a bater no ceguinho. E eu sei bem do que falo. Limitei a minha friendzone (assim fica mais bonito), livrei-me de pessoas que não exercem qualquer tipo de função na minha vida, aprendi a dar valor às pequenas coisas. Apercebi-me de que sou feliz com o pouco que tenho e que posso, na verdade, reaproveitar os objetos, o tempo, as ideias. Nada é mais gratificante quando nós mesmos fazemos o nosso próprio caminho, quando temos alguém que não nos deixe cair, e se for o caso, que nos ensine como nos erguermos do chão. Sejam pacientes, não a fonte de stress. Crescer pode doer, e ser criança para sempre não é uma opção.

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