31 de dezembro de 2015

Prosa armadilhada \\ Mil dores e uma angústia


Sentimentos espelhados. Refletidos de igual maneira, mas de características inversas. Conversas que começam bem, mas que se perdem como o grão de areia debaixo dos nossos pés, levado pela corrente que nos é mútua. Palavras que ao início são simples, mas que com o passar do tempo se tornam codificadas e estranhas. O toque que antes nos fazia vibrar de excitação derreteu-se em que algo em que já não se pode roçar. Correntes elétricas, produzidas pela vontade de nos encontrarmos, explodiram assim que se colidiram pelo caminho errado. 
Quem éramos nós afinal, naquele tempo de rosas cheirosas, chocolates doces e sorrisos largos? Não passamos agora de água quente e azeite por derreter. Tanto prometemos que agora estamos imersos no mar de consciência pesada. Tanto citámos que agora estamos vazios.
Somos agora os sentimentos refletidos em espelhos partidos, divididos em mil dores e uma angústia. Que somos agora, para além dos cacos varridos e embalados no lixo? Que somos agora, para além dos restos que ficam pelo chão, escondidos nos cantos recônditos da vida, ansiosos para que alguém nos dê de volta aquela emoção de poder ser recosntruído e valorizado?

- Carolayne T. Ramos
31/12/2015

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