26 de fevereiro de 2016

Prosa armadilhada \\ O incansável

Atravesso os olhares soltos que nos distanciam, afastando os pensamentos que nos magoam, alcançando o teu corpo com cordas e pulsações. O teu ser é como um lápis na minha mão, os teus movimentos igualando-se aos desenhos que faço e que correm com o tempo, esse mesmo incansável. A tua pulsação, a fúria da minha criação, o momento crítico da minha arte, fundem-se num espaço a quilómetros daqui, mas a centímetros um do outro. Com pouco digo o muito que anseio, e do ansiar nasce algo mais, algo que nem de amor tem o nome. Porquê explicar os meus desejos, quando posso senti-los a partir de um toque, uma carícia, uma expressão facial... Porquê criar frases quando podemos criar formas? Mundos nossos, regras nossas, tudo nosso... E é nesse mesmo mundo que gosto de me refugiar quando ao meu lado existe o vácuo e tudo o que eu mais quero é preenchê-lo.

- Carolayne T. Ramos
26.02.2016


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