sexta-feira, 29 de julho de 2016

Mas afinal, o que é o auto-controlo?

Mais do que nunca, terei em conta as minhas experiências pessoais, de modo a conseguir exemplificar, explicar e expor o meu ponto de vista em relação a este assunto. O mesmo surgiu no meio de uma conversa entre mim e a Nobel, quando ela afirmou que gostaria de poder ter algo que eu e mais algumas pessoas que ela conhece têm: o auto-controlo. Assim que o disse, apercebi-me de que talvez até o tenha, mas dentro de mim sei que foi algo que tive de conquistar em conjunto com muitas outras coisas. Ainda ontem, pensei em escrever o que aqui venho escrever, mas verifiquei que não tinha as coisas bem organizadas na minha cabeça para o fazer. Cheguei à conclusão de que falar sobre o auto-controlo é muito mais complicado do que eu julgava... Mas vamos por partes.

Para começar, o que é o auto-controlo? A meu ver, o auto-controlarmos está acima de tudo aquilo que possamos controlar à nossa volta. Ser-se controlado é ter a capacidade de gerirmos aquilo que pensamos, sentimos, queremos e desejamos, etc., tudo na medida certa, de modo a que o meio físico que nos rodeia não nos prejudique mental e pessoalmente. Quantas e quantas vezes já não nos disseram "controla-te!" ou "tem calma com aquilo que estás a fazer!" ou mesmo quando nos auto-alertamos com estas expressões, numa situação em que tudo aquilo que fazemos descarrila em direção contrária àquilo que tínhamos planeado previamente. Temos de ter em conta de que nós enquanto matérias somos um meio para que as coisas aconteçam e se, parte de nós começar a borbulhar e a entrar em erupção, como é possível que as nossas vontades sejam cumpridas a cem porcento? 

Vejamos o caso do blogue, algo que nos é comum. Imaginemos que um dos nossos grandes objetivos é conseguir escrever durante três vezes por semana, mas quando damos por nós, no dia do blogue, ou estamos a fazer algo completamente divergente do articulado, ou mesmo ao fim de umas semanas, já nem sequer conseguimos escrever devido aos infortúnios cá de fora... Se isto já vos aconteceu, conseguiram encontrar uma explicação? Se for o caso, muito provavelmente, parte do problema advém do controlo que não tivemos sobre nós mesmos. Ora porque nos apetecia ver um filme; ora porque tivemos de sair porque nos convidaram; ora porque a preguiça foi mais forte... O segredo não é impedirmos que tais circunstâncias aconteçam, mas sim conseguirmos controlar os nossos desejos perante um compromisso já há muito preconcebido por nós mesmos. Se não conseguirmos dosear as vontades que tentam escalar para o mesmo patamar que as nossas obrigações, jamais será possível conseguirmos manejar os nossos planos. Há quem o veja como responsabilidade, outros como deveres, mas está tudo relacionado com o controlo, o meio termo, a aceitação de que quando as coisas têm de ser feitas, por vezes o maior desafio é termos de escolher entre a repressão ou o controlo, sendo o primeiro caso algo muito mais "fácil" de exercermos sobre nós mesmos, ao mesmo tempo que somos submetidos a uma explosão mais suscetível; e o controlo algo que temos de aprender a ter, algo que até pode durar uma vida a conseguirmos exercer sobre nós e para nós mesmos.

Um outro exemplo de auto-controlo é exatamente o dinheiro. Com certeza alguns de nós já se depararam com o facto de conseguirmos controlar o dinheiro, mas não conseguirmos controlar o nosso impulso de o gastarmos, sendo até o caso de gastarmos ainda mais do que aquilo que temos. Saber gerir um capital deve ser das coisas mais complicadas na história da raça humana, não fôssemos nós vítimas de uma crise e pobreza de há muitos e muitos anos. E por vezes, por muito que nos custe, essas mesmas circunstâncias afetam-nos diretamente porque não fomos capazes de proclamar pelo domínio em relação aos nossos impulsos.

Como podem ver com estes e muitos outros exemplos, saber ter um controlo sobre nós mesmos é algo que pode levar dias, semanas ou mesmo anos, sendo que existem pessoas que pura e simplesmente não o conseguem fazer. Ora porque a mente, o fio condutor de tudo o resto, não deixa; ou então porque de nós para nós mesmos nunca existiu um treino para que tal fosse possível, dando origem a um efeito bola de neve que nunca mais cessa. A meu ver, e de acordo com as minhas experiências, sabermos dominar muitas das vontades que só nos prejudicam, postula por uma postura que devemos ir treinando pelas coisas mais pequenas. Se queremos emagrecer e o maior problema advém do facto de comermos em demasia, temos de ir doseando as quantidades conforme as nossas reais necessidades, principalmente com a ajuda de alguém que não nos reprima, mas sim que nos faça ver a importância de sabermos dosear a comida. Se quisermos poupar uma boa quantia de dinheiro para algo que queiramos, há que saber cortar nos gastos desnecessários, revertendo esse valor em favor dos nossos objetivos, etc., etc..

Há muito que se lhe diga acerca deste tema, mas penso que deixei o essencial registado. Como em tudo na vida, o auto-controlo é saber preparar a consciência de que algo está para acontecer e que as mudanças têm de ser feitas, em prol do nosso bem-estar e da nossa saúde. Ao conseguirmos alcançar aquele nível de preparação mental, sabermos dominar as nossas vontades tornar-se-á muito mais fácil do que imaginávamos e, quando derem por vós, viver a vida tornar-se-á numa pena leve, que se deixa saborear pelos encantos do vento.

1 comentário:

  1. O auto-controlo é algo que se vai construindo à medida que vamos crescendo. Há dez anos atrás, por exemplo, era uma pessoa que não tinha grande auto-controlo, no sentido de ser demasiado impulsiva, de falar sem pensar e situações do género. Hoje posso dizer que tenho auto-controlo, que sou equilibrada e serena na maior parte dos dias. É algo que vamos construindo aos poucos!

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