27 de outubro de 2016

BOOK review \\ "Seja o que for o amor"

FICHA TÉCNICA
Título:
Seja o que for o amor
Autor(a): Sofia Costa Lima
Editora: Chiado Editora
Páginas: 204
ISBN: 978-989-51-1050-6
Tinha eu 11 anos quando comecei a rabiscar os meus primeiros poemas de amor. A pessoa a quem me dirigia já eu falei aqui no blogue. Recordo-me de que na altura, encostada à janela da cozinha, tive um acesso de inspiração à modo Alberto Caeiro, tendo eu escrevinhado cerca de trinta poemas numa ou duas horas, num caderno que conservo até hoje. Carreguei ao peito este sentimento durante quatro anos, cada ano cada vez mais forte. Embora nunca tenha sido correspondida, sei que muita coisa mudou em mim nesse tempo. Assim que soube que teria a oportunidade de receber em casa o livro da Sofia, fiquei extasiada e quase sem reação. Foi em meados de setembro deste ano, quando a minha semana não estava a correr lá muito a cem porcento, sendo que ter tido esta oportunidade foi uma espécie de chave para me alegrar nos dias seguintes. Pode parecer um exagero, mas eu queria realmente este livro da Sofia. Para além do seu primeiro, do qual ela fala tanto no que venho aqui falar, senti que este é que seria. E, na verdade, o foi.

"Seja o que for o amor" representa o que o amor consegue ser, de facto, na vida real. Aqui não existem filtros, não existem personagens, não existe uma ação. Aqui estamos perante palavras que surgiram no momento e que refletem de maneira tão singular a forma como a Sofia se sentiu, emergida nesta paixão que, a meu ver, pode ser intitulado de amor. Embora ela não defina exatamente o que ela pensa acerca deste sentimento, a verdade é que o conjunto de todas estas páginas acabam por fazê-lo por ela, sendo que a nossa interpretação também conta para que possamos extrair uma conclusão fiel àquilo que sentimos ao ler as suas palavras. Tal como eu nos meus 11 anos, a Sofia de 17 soube como converter um sentimento tão puro, porém tão complexo, num formato que ela tanto desejou ter na vida: num livro. Para além das muitas outras conclusões que extraí de cada frase, a Sofia soube provar que quando depositamos amor e dedicação naquilo que fazemos, tudo e mais alguma coisa pode acontecer de positivo na nossa vida. Basta acreditar.

"Sempre te escrevi de forma verdadeira, indo de encontro com o que sentia, de acordo com aquilo que ia na minha alma. Escrevia-te a felicidade, a tristeza, a dor, a mágoa, a dúvida, a certeza. (...) Nunca acreditei ter o dom da palavra nem conseguir empregar força - positiva ou negativa - nas palavras. Escrevia para libertar sentimentos, para aclarar pensamentos, para acalmar a dor." - pág. 134

É incrível o poder que um livro consegue exercer sobre nós, ao passo de nos teletransportar para uma outra dimensão tempo-espacial, ou mesmo o de alimentar ou ajudar em situações tão presentes quanto o segundo que está a contar neste momento. A Sofia é uma das pessoas que tive o prazer de conhecer nestes meus 18 anos e que sabe como carregar uma única palavra com tanto amor, transmitindo-nos uma sensação de compreensão, conforto e vontade de ouvir falar mais acerca do assunto. Sempre soube que quereria ler o "Seja o que for o amor" numa época que me fosse pertinente, e nunca julguei que tal se pudesse vir a suceder tão cedo, sendo que o momento foi o mais oportuno. Se eu tinha dúvidas acerca do que fazer ou como pensar, a Sofia dos 17 soube como me ajudar com a sua coragem de dar à luz expressões que, se dependessem dela, jamais conheceriam o mundo que as rodeia, ficando guardadas num local que, certamente, apenas a Sofia saberia onde.

A estrutura de todo este livro ultrapassa significativamente o formato de um diário que seríamos capazes de escrever com o calor do amor ali a escaldar-nos debaixo da pele. Enquanto que num diário sabemos quem escreve e para quem se dirige, com esta obra é completamente o oposto: mesmo tendo sido a Sofia a escrever tudo o que aqui está, a meio da leitura esquecemo-nos desse facto e tomamos por escritores o sentimento que nos torna semelhantes à Sofia, passando nós a sermos os narradores e o destinatário a pessoa que nos deslumbra sempre que a vemos. Ela soube como criar um paralelismo entre aquilo que ela publicava no seu antigo blog, Escrevi-te um blog, e o que ela continuava a nutrir pela sua inspiração, sendo capaz de analisar, comentar e identificar-se com aquilo que ela transmitiu no passado; o que acaba por conferir um certo encanto no momento da leitura e da transcendência do nosso próprio pensamento. Esta ideia foi, a meu ver, de génio, visto que perante tal paralelismo, somos colocados frente a frente com a pessoa que fomos, a pessoa que somos e mudar, eventualmente, a pessoa que um dia seremos. É por estas e por outras que este livro ajudou-me bastante.

"E por deixar ir, eu quero dizer que deixas alguém seguir o seu rumo de encontro à felicidade dessa pessoa, sem esperares que esse rumo te inclua ou termine em ti. É só isso. Deixar ir. Deixar ser feliz. Ficar feliz ao vê-lo feliz. Simplesmente não esperar mais. Ser feliz."

Por muito que a Sofia daquela época duvidasse do poder das suas palavras, quero apenas salientar à Sofia dos quase 22 que ela tem uma palavra poderosíssima e que eu, enquanto leitora, estou-lhe bastante grata por ela ter acreditado no facto de terem acredito nela para seguir em frente com este livro. Se para muitos, ler é uma atividade trivial, para mim, ter a oportunidade de ser capaz de conhecer partes do pensamento mais profundo de um escritor é deveras gratificante, principalmente quando este sabe cuidar tão bem do amor, mesmo quando este o maltrata nas piores ocasiões. E se isto não for amor...

... então seja o que for o amor.



P.S.: Sofia, ainda aqui estou, como podes observar. Muito obrigada pelas palavras e pela tua visita. É sempre um prazer ter alguém como tu a ler-me e a apoiar-me. És, de facto, uma grande inspiração. 

5 comentários:

  1. A Sofia é incrível e tem uma capacidade de escrita do caraças :P

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  2. Conheci o livro através da Inês do Bobby Pins e fiquei super curiosa em relação ao livro. Sempre gostei de ler a Sofia e a escrita dela é surpreendentemente genial

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  3. Querida Lyne, já te tinha dito o que achava deste texto mas vim expressar novamente a minha enorme gratidão! Obrigada pelas palavras, a sério! Adorei ver o teu interesse e entusiasmo enquanto lias o livro e a forma como foste avaliando cada capítulo e fazendo perguntas! Fico mesmo feliz por teres gostado!

    A Sofia World

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