20 de maio de 2017

Não é uma despedida, apenas um até já*

Nunca antes, ou pelo menos de perto, havia observado a primavera erguer-se sobre a cidade de Lisboa, pincelando-a pelas ruas fora, de tons esverdeados e arroxeados. Nas idas e vindas de ultimamente, e mesmo com um certo peso nos olhos, tem-me sido quase impossível deixar passar os detalhes de uma Lisboa primaveril, a alegria que se despe num sorriso, parcelas do corpo que aproveitam para ganhar cor, uma movimentação que confere uma outra dinâmica nos espaços que, durante o inverno, apenas habitam as moscas, ou nem isso. Durante esta última semana, principalmente, estes pormenores é que me têm salvo o couro, visto que os dias se caracterizaram em horas passadas a estudar, a desenvolver propostas do projeto final, vestir um certo stress em relação a mim mesma, afastar-me de muita coisa, aproximando-me de outras mais... Mal dormi, mal li - excetuando sebentas e mais sebentas -, tive uma crise de vertigens, a loucura! Entretanto, tracei a capa, deixei de ser caloira, vivi este momento ao lado de pessoas que jamais substituiria... Vesti o Traje por dois dias seguidos, carregando atrás não só a recordação do dia anterior, como também os odores e a sensação que fizeram do traçar aquilo que foi. Quase verti lágrimas para a capa, mas deixei que a tarefa de a humedecer pertencesse, somente, aos Padrinhos e Madrinha, guardando essa disponibilidade para depois.
É engraçado tentar dialogar com o tempo que imprime marcas na nossa alma, e fazer por compreender a pressa com que ele corre por nós. Recordo-me tão bem do choque que recebi quando me tinha apercebido de que tinha entrado na faculdade, seguido da matrícula e da construção de uma nova etapa. Se certas pessoas me perguntassem, ficariam chocadas com a resposta que lhes daria acerca da primeira pessoa com quem falei no início desta nova vida, um facto que até a mim me choca... Foram cerca de sete meses que se prolongaram num mar de aventuras, sorrisos sinceros, amarguras doces e lições com as quais aprendo todos os dias. Estão a ser os melhores meses que eu poderia desejar a mim mesma, não só pela satisfação dos meus feitos, mas principalmente por estar a aprender de que existem diferentes tipos de cansaço, e que aquele que me preenche atualmente é dos mais completos, saudáveis, sinal de uma felicidade com a qual nunca imaginei vir a conviver.

Não me arrependo de nada, nem mesmo das faltas que dei. Não me arrependo das declarações que fiz, das brincadeiras que criei, do tempo dedicado às minhas velha e nova guarda. Não me arrependo da procrastinação, do stress que alimentei, das lágrimas que banharam a minha almofada, nos momentos mais dolorosos. Deixei de ter medo de arriscar, deixei de lado o receio de expor os meus pensamentos e sentimentos, aprendi a triplicar as 24h que o dia tem, apenas para aproveitar a vida tal como ela merece, tal como eu mereço. É bom parar por uns segundos e sentir a leveza que me eleva para outros desafios, outras maneiras de pensar, que me conduz e interliga com outras pessoas. Mesmo que não o diga todos os dias, e defendo de que não faria sentido se assim se sucedesse, mas eu estou mesmo muito feliz! Custou, mas está a ser!

*A ti to dedico, primeiro ano da Faculdade! ♥

2 comentários:

  1. Vivi as mesmas cerimonias que tu na semana passada, e tentar explicar a alguém o quão importante isso foi para mim é difícil. Acho que só quem vive é que sente mesmo a coisa. E o traçar da capa é um gesto são simples mas que tem tanto significado.

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