ABOUT LYNE

Dois foram os anos que eu levei para decidir, finalmente, enterrar o corpo na cadeira e escrevinhar um texto SOBRE mim e que combinasse com o blogue. Há uns dias reli algo que escrevi acerca desse assunto, o facto deste tipo de publicações ser matreira, porque é necessário que as atualizemos de tempos em tempos, porque a pessoa que as escreveu já não é a mesma após uns anos. Apesar de tudo isso, modificar a cara do LYNE foi uma mais-valia para mim, para além de me ter concedido uma inspiração do caraças para vos trazer isto. Reconheço que se não o fiz mais cedo foi porque não sabia ao certo o que vos falar de mim. Eu era uma criança - ainda o sou de espírito, mas pronto -, como tal, o que é que vos poderia apresentar? "Olá, sou a Carolayne, mas podem tratar-me por Lyne!"  - para a pessoa que me tornei, isto não chegaria. Gosto de escavar a minha cabeça, gosto de encontrar questões para respostas já concedidas, divirto-me em aperceber-me de que o mundo não é completamente redondo, simplesmente porque tem irregularidades. Não sei contentar-me com pouco, gosto de ir atrás das coisas e de lhes descobrir as falhas para, quem sabe, consertá-las. Tanto estou virada para o estrago, como bem me pode apetecer ficar num canto a dormitar.
Sou demasiado despreocupada. Não porque não me importe, mas sim por me dedicar demasiado. Se há característica que aprecio em mim, é aquela que me permite despachar os assuntos rápidos, para me poder dedicar aos momentos de cogitação à janela, durante a noite, enquanto o ar noturno se impregna no meu rosto, se envolve com os meus pulmões e explode no meu interior a quantidade razoável de respostas que procuro. Não sou fácil, mas sei amolecer quando necessário. Posso não ser a maior "toda sorrisos", mas quando o faço, não é com os lábios, mas sim com a alma. Aprecio quando os motivos que me fazem relfeti-los, necessitam de carregar nos braços a minha alegria, o meu à-vontade e também as minhas lágrimas. Porque eu também sei chorar de alegria. 

Eu escolhi ser assim, porque no amontoado de personalidades que me foram apresentadas ao longo da vida, nenhuma se encaixou tão bem quanto a pessoa que aqui vos escreve. Eu poderia ser uma pessoa muito má, egoísta, rude, mas optei por aprender a ser uma pessoa calada, observadora, - mas que não cala quando deve -, e que se deixa estar quando sabe que a sua energia poderá ser depositada em algo mais importante. Não sou de falinhas mansas; quando sinto que um sentimento mau necessita de explodir, eu mesma puxo o gatilho e arco com as responsabilidades. Porque crescer não é só ganhar um centímetro a cada mês, é também nos mentalizarmos de que quando tem de ser, fazer parceria com o nosso pior lado é o melhor caminho pelo qual podemos optar. Não porque as pessoas exteriores nos devam respeitar por isso, mas sim porque faz parte da nossa natureza e nós mesmos é que temos de nos auto aceitarmos. Pelo bem e pelo mal, como se de um casamento se tratasse, mas connosco mesmos.
Apaixono-me com facilidade, aprendi a nunca reprimir sentimentos, onde antigamente habitava uma pedra de gelo, metamorfoseou-se numa batata-doce super quentinha e aconchegante - lamento pelas pessoas que não gostam de batata-doce ♥ -, que só quem é permitido, pode chegar perto e provar. Tenho coração de mãe, não sei negar a comida que faço, porque o mais provável é eu distribuir cada pedaço dela por todos, pois parte de mim está ali. E eu não quero que os meus o percam por nada! Se me virem por aí a dançar com uma chávena de chá na mão é porque celebro a vida em geral, e não um momento em específico. Recentemente descobri que eu eu sou uma pessoa feliz e não que o estou, e eu gosto dessa condição, pois sei o que as distingue: ser é algo permanente, enquanto que estar é temporário. E ninguém joga a favor de felicidades temporárias.

Há quem diga e ache belo o facto de eu dar tudo de mim quando elaboro uma tarefa. A verdade por detrás de tanta dedicação advém de uma qualidade/defeito que me personifica: o orgulho. Levei dezanove anos para ter de ouvir isto, mas nunca antes uma verdade me assentou tão bem. Sou uma pessoa orgulhosa, e vivo bem com isso. Não gosto de falhar, é como se me obrigassem a incluir uma espada no estômago como parte integrante do meu físico, no entanto, também gosto de aprender. Raras são as vezes em que cometo duas vezes o mesmo erro, pois acho absurdo. Se for para errar, que seja em coisas novas. Porque repeti-los é pura estupidez, isto se não tivermos forma de controlar as situações em questão.
 
A minha cena, nos dias mais calmos, é ler, passar o tempo com os meus amigos - e sobre os quais descobri algo bastante engraçado: tenho poucos, no entanto, eles são realmente muito bons, como se diz por aí! -, meditar sem fazê-lo em condições. Há quem julgue o contrário, mas o meu estado de espírito natural é o de não falar muito. Sou mais de guardar as coisas para mim, passando-as para o papel, ou para aqui, se me sentir mesmo muito inclinada. Porque guardar sentimentos é divergente de os reprimir: o que os separa é a maneira como tratamos os mencionados; ou optamos por resolver as coisas sozinhos, ou então desprezamos os problemas e acabamos por explodir. A escolha é nossa, definitivamente.

Não é novidade nenhuma, mas é sempre bom citar isto de quando em vez: gosto de divagar pelos meus pensamentos, considero uma atividade bastante produtiva, ao contrário do que muitos julgam. Muitos dos meus problemas, resolvo-os assim: de corpo estendido na cama, os auscultadores a ligarem-me à música, os braços e as pernas entrelaçados, e a predisposição para permitir que parte do meu espírito me abandone para uma aventura maior. Normalmente regresso sempre muito nostálgica, mas funciona tal como uma anestesia: com o tempo, passa.

Olá, chamo-me Carolayne Ramos e atualmente tenho dezanove anos. Estudo Arquitetura na Faculdade de Arquitetura, em Lisboa, e sou uma bookdealer nos tempos livres. Viajo pelo mundo dos livros quando posso, aprecio chá como se se tratasse de vinho e escrevo num blogue que, segundo dizem, já fez muito por muita gente. Se tal for verdade, posso afirmar que grande parte do meu objetivo foi aqui cumprido, porque quando iniciei isto, o que eu mais queria era poder ajudar os outros através da minha escrita, fazendo-os sentir-se compreendidos e não fora do lugar. Porque quando iniciei isto, era assim que eu me sentia; após dois anos, já não é assim. Isto começou por ser uma jornada de uma Vida, mas pelo que vejo, o que acabou por ganhar vida foi tudo isto aqui. Queria dizer-vos mais, porém, convido-vos a descobrirem quem de facto é a Lyne após este tempo todo. Gosto de dizer que sou eu, mas nunca se sabe. ♥

2 comentários:

  1. Acho que nunca gostei tanto de ler um "Sobre mim".
    É tão simples e genuíno, como se não estivesse sequer a ler mas sim a conversar com uma pessoa amiga enquanto afogamos os pensamentos em chá. É um texto quente e reconfortante, porque lá esta, todos crescemos um bocadinho todos os dias e tu mostras estar aberta a esse crescimento.
    Imagino que tivesses passado horas a pensar no que escrever, pois bem, não é isso que mostras. Mostras nada mais nada menos do que uma fluidez admirável e uma confiança cega de que tudo vai correr bem, porque não podes ser mais nada senão tu mesma.
    Adorei

    Xiá
    http://thecoffeecupblog.blogspot.pt/

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    1. Ow, que comentário tão doce! Muito obrigada por teres exposto o que te ia na alma, em relação a este "Sobre Mim". Fico feliz por saber que apreciaste! E não, não me custaram assim tantas horas quanto julgas! ^-^

      Beijinhos, Xiá!

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